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🏙️Estudo Flow · Balanço do mês

O mercado imobiliário de São Paulo em junho de 2026, pelo ITBI

Junho registrou 5.113 compras de apartamento na capital — o maior junho desde pelo menos 2016. Mas o mês teve um dia útil a mais, e é aí que a leitura muda.

Publicado em · Por Flow Imóveis · CRECI 26.342-J · 7 min de leitura

5.113
apartamentos vendidos em junho
+9,6%
sobre junho de 2025 — mas +4,6% por dia útil
R$ 445.000
preço mediano do apartamento
R$ 5.000
por m², mediana da cidade

O que o ITBI mede — e por que ele é o dado mais duro que existe

O ITBI é o imposto pago quando um imóvel muda de dono. Toda compra e venda registrada em São Paulo passa por uma guia, e essa guia traz o valor declarado, o endereço, a área construída e o uso do imóvel. Não é anúncio, não é intenção, não é pesquisa de opinião: é negócio fechado, com imposto pago.

É por isso que ele é o melhor termômetro do mercado — e também por isso que ele chega devagar. A guia é paga na transmissão, que acontece depois do acordo entre as partes; e a base da prefeitura é publicada mês a mês, em lotes.

Este estudo olha só compra e venda com transmissão integral do imóvel. Doações, permutas e transmissões de fração não entram.

Por que junho ainda não está inteiro — e como contornamos

Aqui está a parte que quase todo levantamento de ITBI erra. A guia de um negócio fechado em junho pode ser paga em junho, em julho ou depois. Medindo os últimos dois anos, entre 8% e 14% das transações de um mês só aparecem em guias de meses seguintes.

Junho de 2026 tem, hoje, 0% de guias posteriores — simplesmente porque o lote de julho ainda não foi publicado. Comparar esse junho "novo" com um maio ou um junho de 2025 já maduros faria o mês parecer cerca de 10% menor do que foi. O erro apareceria como notícia: "mercado desacelera em junho".

A solução foi comparar sempre a mesma fatia: para cada mês, só as transações cuja guia saiu até o próprio mês. Aplicado a todos os anos, isso é uma janela de captura idêntica — e ela é estável, entre 86,6% e 91,2% do total em cada junho desde 2016. Todos os números deste estudo seguem esse critério.

O que isso significa para os números daqui

Eles são comparáveis entre si, mas ficam abaixo do total definitivo. Quando o lote de julho entrar, junho de 2026 deve crescer perto de 10% — e o mesmo já aconteceu com todos os meses anteriores desta série.

Junho em números

A comparação com o mês anterior e com o mesmo mês de 2025, na mesma janela de captura:

Jun/2026Mai/2026Jun/2025vs. maiovs. 2025
Transações (todos os tipos)8.3767.9197.739+5,8%+8,2%
Apartamentos5.1134.7664.666+7,3%+9,6%
Apartamentos por dia útil232,4227,0222,2+2,4%+4,6%
Preço mediano do apartamentoR$ 445.000R$ 442.900R$ 420.000+0,5%+6,0%
R$/m² mediano do apartamentoR$ 5.000R$ 5.051R$ 4.841-1,0%+3,3%
Dias úteis com movimento222121——
Mediana para preços. Só compra e venda com transmissão integral.

Metade do crescimento é calendário

Junho de 2026 teve 22 dias úteis com movimento de cartório, contra 21 em maio e 21 em junho de 2025. Isso sozinho explica boa parte da alta: os 9,6% a mais de apartamentos vendidos viram 4,6% quando se compara o ritmo diário.

A distinção não é preciosismo. Um mês com um dia útil a mais tem cerca de 5% mais capacidade de registrar negócios, e quem lê só o total do mês atribui ao mercado o que foi do calendário. O crescimento real existe — mas é da ordem de 4%, não de 10%.

O maior junho da série, em volume

Olhando junho de cada ano com o mesmo critério, 2026 é o mês de junho com mais apartamentos vendidos desde pelo menos 2016 — supera inclusive 2021, o auge do crédito barato pós-pandemia.

Junho deTotalAptosPreço medianoR$/m²Dias úteisPor dia útil
20164.5732.578R$ 340.000R$ 3.24822117,2
20175.2753.206R$ 349.058R$ 3.31522145,7
20185.2373.051R$ 370.000R$ 3.42421145,3
20195.5093.275R$ 370.000R$ 3.61920163,8
20204.2452.393R$ 380.000R$ 3.59022108,8
20218.8935.087R$ 420.000R$ 3.88622231,2
20226.9973.995R$ 410.000R$ 4.09522181,6
20236.8743.962R$ 413.550R$ 4.40122180,1
20247.9034.659R$ 428.500R$ 4.56520232,9
20257.7394.666R$ 420.000R$ 4.84121222,2
20268.3765.113R$ 445.000R$ 5.00022232,4
Todos os anos medidos com a mesma janela de captura (guias pagas até o próprio mês).

A última coluna é a que impede a manchete fácil. Em apartamentos por dia útil, 2026 fica praticamente empatado com 2024 e com 2021 — a diferença está dentro do ruído. O recorde é de volume mensal, não de intensidade.

Por tipo de imóvel

Casa cresceu mais em volume que apartamento (+14,4% contra +9,6%), mas com alta de preço menor (+5,2% contra +6,0%). O comercial e misto foi o único segmento a encolher, e o terreno teve a maior queda de preço mediano — num universo de 125 negócios, onde uma mudança de perfil dos lotes vendidos move muito o número.

TipoJun/26Jun/25VolumePreço medianoVar. preçoR$/m²
Apartamento5.1134.666+9,6%R$ 445.000+6,0%R$ 5.000
Casa1.6611.452+14,4%R$ 526.000+5,2%R$ 4.492
Outros (comercial e misto)806882-8,6%R$ 425.000-4,0%R$ 5.389
Garagem671624+7,5%R$ 65.000+8,3%R$ 2.905
Terreno125115+8,7%R$ 243.987-19,4%—
Garagem aparece separada porque vaga de garagem tem matrícula própria e entra no ITBI como transação.

Onde o mercado se moveu

Os dez distritos que mais cresceram em número de apartamentos vendidos, entre os 53 com amostra suficiente. A geografia aqui vem do distrito oficial da prefeitura, obtido pelo CEP do imóvel — o campo de bairro da própria base de ITBI traz "TORRE 1" e "BLOCO A" em boa parte das linhas, porque o preenchimento é livre.

DistritoJun/2026Jun/2025VolumeR$/m²Var. R$/m²
Raposo Tavares5525+120,0%R$ 2.874-5,1%
Cachoeirinha4126+57,7%R$ 3.519+14,5%
Tucuruvi8051+56,9%R$ 4.129-6,8%
Brás4730+56,7%R$ 5.050+21,2%
Vila Andrade170112+51,8%R$ 3.745-1,3%
Belém7147+51,1%R$ 4.971+0,2%
Liberdade8959+50,8%R$ 5.328+6,6%
Cambuci5235+48,6%R$ 4.355-5,4%
Mandaqui5638+47,4%R$ 4.200+18,9%
Vila Formosa4835+37,1%R$ 4.299+3,9%
Mínimo de 25 apartamentos em cada um dos dois meses.

Os maiores mercados da cidade

Por volume absoluto, o topo continua sendo o mesmo de sempre — e é nele que a variação de preço pesa mais no bolso de quem compra.

DistritoAptosPreço medianoR$/m²Var. R$/m² 12m
Vila Mariana232R$ 650.000R$ 6.758-5,9%
Itaim Bibi217R$ 910.000R$ 8.491-3,6%
Jardim Paulista199R$ 1.000.000R$ 8.642+4,8%
Perdizes176R$ 741.500R$ 7.099+15,6%
Vila Andrade170R$ 465.000R$ 3.745-1,3%
Saúde147R$ 551.250R$ 5.238-1,4%
Moema145R$ 1.080.000R$ 8.667+0,6%
República141R$ 295.000R$ 5.814+3,1%
Santa Cecília131R$ 450.000R$ 5.367+2,6%
Tatuapé125R$ 650.000R$ 5.457+21,6%
Santana113R$ 501.168R$ 4.464+13,4%
Sacomã113R$ 296.000R$ 3.537+7,6%
Lapa112R$ 697.000R$ 6.064+2,1%
Pinheiros111R$ 1.150.000R$ 9.002+8,4%
Santo Amaro109R$ 545.000R$ 6.628+7,9%
Os 15 distritos com mais apartamentos vendidos em junho de 2026.

O que o ITBI não permite dizer

Três coisas que pareciam análise fácil e não sobreviveram à checagem.

  • •Financiamento. A base tem um campo de tipo de financiamento, mas ele só vem preenchido em 23% a 37% das guias, e essa taxa oscila mês a mês sem relação com o mercado — de 36,5% em janeiro de 2024 para 23,3% em dezembro de 2025 e 31,3% em junho de 2026. É qualidade de preenchimento, não comportamento do comprador. Qualquer "share de financiadas" calculado daí seria ficção.
  • •Valor total movimentado. A soma é dominada por poucas operações corporativas: só duas transações de maio de 2026 — uma edificação de uso múltiplo por R$ 894 milhões e um prédio de escritórios por R$ 654 milhões — respondem por R$ 1,5 bilhão. Um número que muda 20% porque uma torre trocou de dono não descreve o mercado residencial. Por isso este estudo usa contagem e mediana.
  • •Ganho real. Os preços aqui são nominais, sem desconto de inflação. Falar em valorização ou perda real exigiria deflacionar por um índice de preços — essa conta não está feita neste estudo, e por isso ele não afirma nada sobre valor real.

A leitura do mês

Junho de 2026 foi um mês forte em volume: 5.113 apartamentos, o maior junho da série. O preço mediano subiu 6,0% em doze meses e o metro quadrado 3,3%, ambos em termos nominais. Se isso é ganho real, este estudo não responde: exigiria deflacionar por um índice de preços, e essa conta não está aqui.

O retrato é de um mercado com liquidez alta e preço subindo em ritmo modesto: mais gente comprando, com o metro quadrado nominal 3,3% acima de um ano atrás. Descontado o dia útil a mais, o crescimento de volume sobre 2025 fica na casa dos 4% — consistente, mas longe de um salto.

A conferir no próximo lote: quando as guias de julho entrarem, junho deve ganhar cerca de 10% de transações. Se esse complemento vier acima do padrão histórico, a leitura de mês forte se confirma com folga.

Ficha técnica

Fonte dos dados: Guias de ITBI pagas, publicadas pela Prefeitura de São Paulo, importadas e tratadas pela Flow Imóveis. Geografia por distrito oficial da PMSP, obtida pelo CEP do imóvel.

Objeto
Transmissões de imóveis em São Paulo (capital) registradas no ITBI
Recorte
Compra e venda com transmissão integral (proporção transmitida entre 99% e 100%)
Período
Transações com data em junho de 2026, comparadas a maio de 2026 e junho de 2016 a 2025
Janela de captura
Só guias pagas até o último dia do próprio mês da transação — o mesmo critério em todos os meses e anos, para que junho de 2026 (que ainda não recebeu o lote de julho) não seja comparado a meses maduros
Estabilidade da janela
Essa fatia representa de 86,6% a 91,2% do total de cada junho desde 2016 — sem tendência que distorça a comparação
Estatística
Contagem e mediana. Médias e somas foram descartadas por serem dominadas por operações corporativas isoladas
Geografia
Distrito da PMSP via CEP (99,9% das guias de junho casaram com a base oficial de CEP). O campo de bairro do ITBI não foi usado: traz complemento do imóvel em parte das linhas
Preços
Valores nominais, sem correção pela inflação
Volume analisado
8.376 transações em junho de 2026, das quais 5.113 apartamentos

Perguntas frequentes

Quantos imóveis foram vendidos em São Paulo em junho de 2026?+

Foram 8.376 transações de compra e venda com transmissão integral registradas no ITBI, das quais 5.113 apartamentos. O número considera as guias pagas até o fim de junho; com a entrada do lote de julho, o total deve crescer cerca de 10%.

O mercado de São Paulo cresceu em junho?+

Sim, mas menos do que o número cheio sugere. As vendas de apartamento subiram 9,6% sobre junho de 2025 — só que junho de 2026 teve um dia útil a mais. Ajustado por dia útil, o crescimento é de 4,6%.

Quanto custa o metro quadrado em São Paulo?+

A mediana das compras de apartamento registradas em junho de 2026 foi de R$ 5.000 por metro quadrado, com preço mediano de R$ 445.000 por unidade. É valor de transação efetiva, não de anúncio — e varia muito por distrito, de menos de R$ 3.600 a mais de R$ 9.000.

Por que o ITBI é melhor que o preço de anúncio?+

Porque é negócio fechado com imposto pago, não preço pedido. O anúncio mostra a expectativa do vendedor; o ITBI mostra o que o comprador aceitou pagar. A contrapartida é o atraso: o dado só fica completo semanas depois do fim do mês.

Posso citar este estudo?+

Pode, com crédito a "Estudos Flow Imóveis" e link para esta página. Recortes específicos por distrito, faixa de preço ou tipo de imóvel podem ser solicitados pelo WhatsApp desta página.

Veja os prédios de cada bairro do estudo

Cada bairro citado acima tem no site a lista dos seus condomínios, com preço por metro quadrado, histórico de vendas e o que está disponível hoje.

Imprensa e citação

Este estudo é de livre citação, com crédito e link para esta página. Jornalistas que precisarem de recortes específicos — por bairro, por faixa de metragem ou por prédio — podem falar diretamente com a equipe que produziu a análise.

FLOW IMÓVEIS. O mercado imobiliário de São Paulo em junho de 2026, pelo ITBI. Estudos Flow, São Paulo, 26 de agosto de 2026. Disponível em: https://flowimoveis.imb.br/estudos/mercado-imobiliario-sao-paulo-junho-2026-itbi/
contato@flowimoveis.imb.br
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